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O jovem casal recém-formado discutia a relação no décimo andar do prédio no coração da cidade. As coisas pareciam ir bem, até um abajur ser arremessado contra o marido distraído.
- Eu vi, ninguém me contou! - gritou a esposa, nitidamente alterada.
O marido, que havia se atirado ao chão para não ser atingido pela luminária, se levantou.
- Eu só olhei. - retrucou. - Todo mundo olha de vez em quando. Até você!
- Mas eu não viro o rosto pra trás pra olhar pro peitoral de nenhum homem! - e jogou o edredom sobre ele.
- Amor, isso é desnecessário… - disse ele em tom irônico, enquanto se livrava do edredom. - Você sabe que eu…
- Cafajeste. Eu deveria ter notado isso antes de me casar com você!
De acalorada, a discussão passou a ter um clima pesado. Ela caminhou até a varanda e tentou acalmar-se com o vento gelado da noite. Ele ligou a TV e distraiu-se por algum tempo com os jornais da madrugada.
Após alguns minutos, ele resolveu agir.
- Vai ficar aí a noite toda? - questionou, em tom de brincadeira.
Ela retornou para o quarto, já com o semblante mais calmo.
- Você vai dormir no sofá.
Ele se levantou num salto.
- Não vou, não. - reagiu, sério. - A cama não é só sua.
- Mas eu me recuso a dormir com um homem que deseja outras mulheres!
E quase se alterando novamente, ela tentou bater com as mãos no ombro do marido. Não conseguiu.
Ele as segurou no ar, e lhe deu um beijo tão intenso que ela chegou a ficar desconcertada.
- Não… - ela tentava se livrar do marido, em vão. Ele era forte demais para ela.
Ele aproximou os lábios de seus ouvidos, e cochichou:
- Sabia que você fica ainda mais sexy quando está com ciúmes?
E a jogou na cama, com um sorriso malicioso no rosto.
Na manhã seguinte, era possível encontrar uma camisola rasgada jogada ao chão, assim como roupas íntimas e uma camiseta branca. Sobre a cama, um homem com o peitoral de fora e uma mulher o usando como travesseiro.
E quando acordaram, já haviam esquecido o atrito da noite passada.
Ouvi dizer que eles se amam. (Henrique Dias)